quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

No futuro o amor e a liberdade serão como na noite suja

                                                     

Foi no carnaval, mas poderia muito bem ser em qualquer outra data, qualquer feriado, qualquer final de semana, porque sempre foi assim. O noite suja nunca precisou de uma data ou de um motivo especial para existir, na verdade o grande motivo, e retirando o que eu disse, super especial é que esse acontecimento, transvestido de festa é um ato corajoso de erguer como um estandarte nas ruas belenenses o que realmente se é. Nessa noite ninguém se preocupa com o que vão dizer ou pensar, todos se libertam e é, na humilde opinião desse admirador, a mais autentica expressão de liberdade que belém tem. Ninguém se preocupa a qual sigla você pertence entre os LGBTTS ... se é que pertence, até porque isso é o que menos importa. Venha como quiser, use o que quiser, "a noite é suja a noite é sua" como cantava flores astrais, uma personagem da noite paraense, em uma bike-som (bicicleta cargueira com um auto-falante). Por falar na bike-som, foi ela quem puxou o cortejo, que iluminava as ruas estreitas da campina. Tristan Soledad, um dos maiores personagens dessa noite brilhava entre a pequena multidão que a cada minuto aumentava mais, em uma perna de pau, era a própria alegoria, com seu charme e encanto. Entre negros, brancos, tambores e muita alegria o cortejo da 6°edição da festa seguia, com um único propósito celebrar a liberdade, a diversidade e a exuberância contida, algumas vezes reprimida, dentro de cada um ali. Todos que passavam ou viam das varandas, admiravam, alguns pareciam assustados e tudo fazia parte da grande festa, até o caminhão de coleta de lixo foi transformado em alegoria. Foi lindo ver e fazer parte de tudo isso. Parabéns a todas as personagens ali presentes e que tornam belém mais artística e menos monótona, aos closes, aos carões e até a indignação estampada no rosto de alguns, que não entendem a alegria de ser quem se quer ser. O noite suja trás essas pessoas, trás essas histórias e faz a sua história na cidade das mangueiras, a carnevale deixou gosto de quero mais e dizer vida longa é muito redundante então, noite suja, só exista, mesmo quando não existir mais. "No futuro o amor e a liberdade serão como na noite suja"

Algumas imagens da 6° edição do Noite Suja:  







                                     



domingo, 1 de março de 2015

Ainda bem que eu escolhi Tatuagem, ainda bem.

Eu sou um daqueles carinhas que adora aqueles filmes menos convidativos possíveis, aqueles que nunca chegam nas megas salas de cinemas espalhadas pelos shoppings ou aqueles filmes quase que experimentais, com diretores novos e que mesmo com poucos recursos conseguem transmitir emoções e estorias tão boas quanto as produzidas nos mirabolantes estúdios Hollywoodianos.

No início do ano passado, fui a um cinema que eu, particularmente, adoro aqui em belém o Cine Líbero Luxardo. Ainda não sabia exatamente o que iria assistir. Quando cheguei próximo a bilheteria, passei os olhos nos cartazes dos filmes que seriam exibidos, lembro que um deles era o do filme "Azul é a cor mais quente" E que ficaria para uma outra hora, já que havia perdido o horário de exibição. Continuei olhando e lá estava, um cartaz bem bonito, em tons de azul piscina e celeste, com algumas plumas e o titulo escrito em vermelho sangue anunciava "Tatuagem". Um filme nacional, com produção pernambucana e ambientada em Olinda-Recife e cabo de santo Agostinho, um filme lindíssimo, dirigido por Hilton Lacerda, roteirista de filmes como "Filmefobia","Amarelo Manga" e outros.

Tatuagem era então o primeiro longa de ficção que havia dirigido, e que grande estreia! Um filme que se passa em meio a ditadura e conta a estoria de um grupo de artistas que se apresentam em um teatro/cabaré que se localiza na periferia da cidade e provocam, num claro sinal de esgotamento, o poder e a moral, sempre levantando questões sociais ensaiando a resistência política com anedotas intelectuais e anarquia, além de seu grupo marcante de homossexuais e a visão desse momento histórico de nosso país sob um olhar periférico. O grupo "chão de estrelas" como é conhecido, é uma imagem da  mistura de artistas e intelectuais do final da década de 70 e início de 80. 

Os espetáculos e as interferências públicas é liderado por Clécio Wanderley (Irandhir Santos), que muda completamente de vida ao conhecer Fininha (Jesuíta Barbosa) um soldado de 18 anos que presta serviço militar na capital, uma paixão que "nos lança para o futuro, como tatuagem: marca que carregamos junto com nossa história" o filme deixou uma frase martelando em minha cabeça e considero o grande estandarte desse longa"No futuro o amor e a liberdade serão como num filme" é com certeza um filme incrível, adoro a fotografia usada no filme, direção muito bem feita, roteiro bem escrito e com uma trilha sonora incrível que vai de Gal Costa a Johnny Hooker, e que surpresa o conhecer. 

Hooker é cantor, compositor, ator, diretor e mais mil e uma coisa, tem uma voz marcante, um estilo que passeia por David Bowie e Ney Matogrosso, tem uma presença incrível além de um talento indiscutível, aclamado por grandes críticos. No filme é impossível não ficar com aquele brega, com influencias rock na cabeça, aquele sonzinho que parece tocar em qualquer bar de "beira de vala" aquela melodia melancólica, que traz sentimentos comuns na letra e que é interpretada com uma lagrima na garganta, o que é popularmente chamado hoje de "sofrencia" e é visto como algo inédito, grandes nomes do brega já o faziam muito antes e é isso que Hooker trás, talvez o verdadeiro sentido de "sofrencia" em  "Volta". 

Quando eu finalmente dei uma imagem para aquela voz que me invadia e que cantava "Volta que eu perdoo teus caminhos, teus vícios, que eu volto até o início te carregando mais uma vez de volta do bar" Eu pude entender o porquê aquilo não saia da minha mente, foi paixão a primeira vista, além de todos os atributos já citados o cara é mega performático, no clipe, com a música do filme, consegue representar de um jeito simples e lindo o que a letra nos conta, eu me tornei um caçador de Hooker, conheci algumas músicas do álbum intitulado "Vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito" como "Amor Marginal", (Música que fará parte da trilha sonora da nova novela da rede globo, Babilônia) é uma canção visceral que entre poesia, sussurros e gritos nos conta sobre a partida de um amor, deixado a beira do caminho. e de forma a transformar o "trash", o imoral e pecaminoso em algo poético sensível, nos convence que amor é amor, independente se for amor amigo, romântico, diferente ou até marginal.

"Alma Sebosa" É a minha predileta, devo confessar. Que letra simples, vulgar e incrivelmente verdadeira. É um tapa na cara daquele amor cafajeste. Ouvindo Hooker é quase que uma revolta cantada, numa mistura de amor e ódio, é o mais autentico hino do chamado " a volta por cima" um bolero dançante e envolvente, música de boteco. Tudo aquilo considerado como cultura de massa, trash, música de periferia, brega, cafona Hooker consegue transformar em verdadeiras obras de arte e é isso que acho incrível nesse cara, a sua capacidade de juntar dois mundos diferentes e se tornar original sobre as duas óticas. 

Seu som é cult? Brega? Punk-Rock? eu tenho a resposta: Seu som é Hooker, Johnny Hooker. Uma das minhas melhores surpresas musicais do ano passado, tenho certeza que Johnny Hooker ainda será muito falado e depois muito lembrando, ficara sua marquinha por muitas décadas. Um artista efêmero que entre tantas mudanças define sua persona, como disse Carpeggiani "Temos aqui um jovem pop star preso em sua jaula, e feliz por isso, vamos ouvi-lo". Ainda bem que eu fui aquele dia ao cine Libero Luxardo, ainda bem que eu escolhi assistir Tatuagem, ainda bem. 

A aventura agora em filme.


É isso mesmo que você leu. se você é fã, assim como eu de uma das maiores e mais rentáveis animações do canal fechado cartoon network, irá ficar bem animado com essa notícia. de acordo com o site especializado Deadline a animação meio psicodélica, misteriosa e as vezes até assustadora Hora de aventura, irá virar longa-metragem pelos estúdios Warner Bros e será produzido por Chris Mckay e Roy lee, sim eles mesmos, os mesmos produtores de "Uma Aventura lego", mas o Cartoon Network Studios e Pendlenton Ward, criador de Hora de Aventura é claro, estarão envolvidos na produção, Ward até teria participação no roteiro. 


A animação que hoje é uma das maiores aposta do cartoon, é uma mistura de surrealismo, fantasia e histórias que oscilam entre a fofura e o terror (tendo várias imagens de abertura censuradas e cenas cortadas em alguns países) é um grande sucesso entre crianças e entre muitos jovens, considerado parte da cultura pop, sem dúvida é um dos desenhos com mais personalidade dos últimos tempos. Os mais críticos e observadores percebem várias questões tratadas nos episódios da animação, como a questão de gênero no episódio 13° da 4° temporada chamado "Princesa Biscoito" Em que um biscoito (homem) sonha em ser princesa, depois de fazer alguns doces de reféns, Jake ( o nosso adorável cãozinho amarelo ) bola um plano para salvar a princesa biscoito das garras dos soldados bananas, do exército da princesa Jujuba e enfim realizar o sonho do biscoito. essa forma leve e despretensiosa de tratar questões como essa, considerada ainda um tabu na sociedade, acredito que seja o grande achado do desenho.

Da mesma forma a princesa caroço apesar de ser do sexo feminino, para muitos é considerada um homem, tanto nos Eua como no Brasil, são homens que fazem as dublagem, nos Eua é o próprio Pendlenton Ward que empresta sua voz. Uma curiosidade sobre ela é que as vezes ela vomita um arco-íris (rs).

A princesa Músculos, não poderia ficar de fora, também é um personagem feminino, no entanto a sua grande marca são braços musculosos, atitudes violentas e aspectos masculinos. uma curiosidade sobre ela é que: ela odeia seus cabelos e por isso os detêm, para que seus músculos sejam notados. ver no episódio (para cortar os cabelos de uma mulher).

O desenho também envolve várias questões filosóficas, tudo em seu mundo, na verdade séria o resultado da radiação de bombas nucleares, ou seja apesar de seus traços simples e sua ingenuidade é um desenho muito complexo que merece ser assistido com atenção e não é muito difícil encontrar indícios da pós-apocalíptica terra do Ooo. 

o desenho desde o seu lançamento em 2010 ganhou seis temporadas e uma franquia de brinquedos, videogames entre outros.
Essa notícia me deixou muito animado e com muita vontade de descobrir questões que o desenho não explica muito bem como por exemplo, a forma como Jake (o cachorro amarelo que tem 28 anos de idade) e Finn (o garoto de 12 anos que usa um gorro branco) se conheceram, se Finn é de fato o único humano é um dos poucos garotos sobreviventes dessa devastadora guerra chamada no desenho de "A grande guerra dos Cogumelos" fazendo alusão ao formato das explosões atômicas, que seriam semelhantes ao formatos dos cogumelos entre outras. 

Eu passaria horas escrevendo sobre esse desenho (um dos meus prediletos do cartoon) do tanto que acho incrível e bem bolado, então eu recomendo que assistam, e dessa vez tentem observar questões interessantes que o desenho trata, um simples desenho muito inteligente.

Sobre uma das minhas animações favoritas.

Esse com certeza é um daqueles filmes que a gente assiste uma, duas, três vezes e parece não cansar nunca."É difícil imaginar origem mais humilde que a deste gênio que agora cozinha no Gusteau's" alguém já sabe de qual animação eu estou falando? É claro que é Ratatouille, uma animação lançada em 2007 pela Disney e Pixar, que merecidamente levou o Óscar de melhor animação em 2008. 
O filme como todo mundo já deve saber, conta a estoria de um ratinho chamado Rémy que assim como o lema de Gusteau's "Qualquer um pode cozinhar" sonha em se tornar um grande chef de cozinha na frança. É quando conhece Linguini, um jovem muito atrapalhado que vai pedir emprego, por sugestão de sua falecida mãe, no restaurante do também falecido Gusteau's . Depois de arruinar uma sopa que estava cozinhando, tenta disfarçar o acidente adicionando vários ingredientes, Rémy que presencia a cena, não consegue deixar a sopa daquele jeito, com seu faro e seu talento acaba transformando a sopa em um sucesso. Linguini passa a ser pressionado a repetir a façanha, mas sabe que só conseguiria com o ratinho, é então que começam a usar um truque de marionete, para que Linguine consiga reproduzir a sopa quando supervisionado, por fim Linguini descobre que é filho de Gusteau's e o restaurante recebe uma crítica excelente de um dos mais temíveis críticos da França Anton Ego, responsável pela morte de Gusteau's após um dura crítica ao chef. Anton come um tradicional prato do sul da frança chamado Ratatouille. O restaurante Gusteau's é fechado pela vigilância sanitária por infestação de ratos, mas eles acabam abrindo um outro restaurante chamado La Ratatouille em que enfim Rémy consegue se tornar um dos melhores chefs da França.

O mais incrível nessa belíssima animação é como ela consegue nos envolver, uma boa estoria, muito bem contada especialidade da Pixar, além de ter personagens incríveis que deixaram de lado aquele velho padrão dos brinquedos vivos ou de carros correndo de um lado para outro, Brad Bird (diretor do filme) nos levou para dentro da estoria, com belas paisagens francesas, a memorável torre Eiffel e canções que ficam em nossa mente sempre que olhamos a imagem de Rémy como "Le Festin de Camille". 

Um filme que de bobo não tem nada, que faz qualquer um gostar de animação, mesmo aqueles mais chatos. um longa sensível e apaixonante (não teria cenário melhor que a frança para essa estoria)  um dos meus prediletos, como já disse antes parece não cansar nunca, por fim somos presenteados com um lindo texto usado por Anton Ego "Nem todos podem se tornar grandes artistas, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar" eu gosto de tudo no filme, a qualidade, os personagens, a direção, a música e acho que por isso eu sempre volto a assistir, e usando uma frase de Ego, "com muita fome".